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Festival Cultural Clara Nunes
Caetanópolis – MG
Projeto: Adriana Andrade
 
A idéia


Trabalhar com cultura, sempre foi um desafio no Brasil. Mas, quando encontramos pessoas que falam a mesma língua, e que acreditam no sonho de que a cultura é a saída para todos, aí se obtém grandes resultados.

A idéia de um festival que reunisse várias vertentes de cultura era um sonho. E ao trabalhar na Secretaria Municipal de Cultura de Caetanópolis, vimos como é rica a nossa terra de tantos talentos, vindo então, a vontade de criar um evento que reunisse todos esses valores. Um evento que fosse gratuito para que todas as camadas pudessem ter acesso.

Nasceu o Festival Cultural Clara Nunes.

Também, já era tempo de Caetanópolis prestar uma homenagem à sua filha ilustre. Também já era tempo de agradecer à família da Clara que sempre trabalhou com dedicação em prol da cidade.

O mais difícil seria começar. Seria envolver. A cidade de Caetanópolis ainda tinha uma resistência quanto a isso, pois achava que Clara não gostava de Caetanópolis, já que todas as reportagens a respeito diziam que ela natural de Paraopeba. Não estava de todo certo nem de todo errado. Clara nasceu em 1942, época em que Caetanópolis era o nosso Cedro, distrito de Paraopeba. Mas ela é daqui. Nasceu ali naquela casa da Rua Cel. Victor Mascarenhas, a casa de número 423, bem em frente ao Posto de Saúde. Foi dali que ela saiu para conquistar a fama. Foi dali que ela saiu para ser o sucesso que foi no Brasil e no mundo.  Foi nesta casa que nasceu e viveu toda sua infância de muitas lutas. Ficou órfã aos 4 anos, sendo então criada por sua irmã mais velha, a Dindinha, ou dona Mariquita, como todos aqui a conhecem.  Depois, aos 14 anos, trabalhou na fábrica de tecidos Cedro e Cachoeira. Depois foi para Belo Horizonte, também trabalhar numa fábrica de tecidos, a Renascença.

E o sucesso surgiu. Com sua voz maravilhosa se apresentava nas festas de igreja, nas rádios, até ganhar o concurso em Belo Horizonte e sua carreira começar a decolar.
Mas Clara sempre esteve de volta à sua terra, à sua família. Vinha nos finais de ano para o Natal. Revia os amigos e fazia uma das coisas que mais gostava: cantar e dançar com as pastorinhas de nossa cidade. E nós, caetanopolitanos e cedrenses sabemos disso.

E com tanta cultura na história de Caetanópolis, só nos restava apresentar Caetanópolis para o resto do país. Então o projeto do Festival foi esboçado, sem medo de ser ousado e com a certeza de que seria algo realmente diferente para nossa cidade.

Por se tratar de envolver manifestações culturais diferentes, teríamos uma semana de muita cultura.  A idéia era usar tudo que existisse de cultura na cidade, complementando com shows que pudessem dar para a semana cultural, o glamour necessário para que todos os olhos se voltassem para Caetanópolis.
O Festival daria oportunidade para os talentos locais e, é claro, exaltaria a obra artística de nossa irmã ilustre. Seria a grande mostra do quanto ela representa para nós.
Com o único Museu da América Latina que conta a história da indústria têxtil, Caetanópolis certamente sairia do anonimato, sendo esse o segundo grande foco para alavancar o turismo em nossa cidade.

O mês de agosto foi escolhido, sendo o dia 12 a data marcada por ser o aniversário de Clara Nunes (12 de agosto de 1942).
Encontro de bandas de música, encontro de grupos de capoeira, encontro de corais, mostras de danças, palestras, folclore, peças teatrais, exposições de artesanato, música, poesia, Shows ... Era isso: valorizar e apresentar talentos seria a chance para muitos.

E assim foi feito.
 
O 1º Festival Cultural Clara Nunes - 2006

Para o 1º FCCN, foi montada uma programação simples, com shows de calouros apresentado pelo jornalista e radialista Dirceu Pereira, show da cantora Eleny Galvã, do cantor Márcio Guima, palestra do jornalista e amigo de Clara Nunes, Adelzon Alves, encerrando com o espetáculo Conto de Areia, apresentado pelas cantoras Mila Conde, Rose Brant, Elisa Paraíso e Raquel Coutinho. O espetáculo retratava parte da obra de Clara Nunes, tendo sido uma bela homenagem.

As escolas municipais e estaduais de Caetanópolis foram convidadas a participar com uma exposição de pesquisas sobre a vida de Clara Nunes. Numa bela exposição, as crianças mostraram a trajetória de vida da cantora, desde sua infância até sua morte.  Isso trouxe aos jovens de nossa cidade um orgulho muito grande com o conhecimento de detalhes da vida da menina Clara, até o auge da cantora Clara Nunes, um mito nacional.

Nesse primeiro festival, Clara foi homenageada com fotos, pesquisas, palestras, vídeos de sua vida, suas músicas, seus maiores sucessos.

O 1º Festival foi um sucesso. Algo que fez com que Caetanópolis pudesse pensar e entender que o Turismo Cultural é a saída para nossa cidade.

Com a participação da equipe da secretaria municipal de cultura, os coordenadores culturais, Leandro Ruas (Música) Robson Bernardino (Dança), Mário Sérgio (capoeira), Paolete Fabíola (Teatro), Hariane Silva (Dança), e a assistente cultural Marilene Araújo, o Festival teve sua forma tão especial que soube envolver as diversas formas de cultura em Caetanópolis. Também fazem parte da comissão organizadora, Wanderlei Moreira, Claubert Dornas, Washington Correa e Wagner Ribeiro.

Com o orgulho de ser cedrense, a poesia de Marco Aurélio, o Cuta, Anália Ribeiro fez a abertura do primeiro festival: 

SER CEDRENSE...
            Acho muito bom ter nascido no Cedro.
            Ser Cedrense é muito mais que um estado de espírito.
            Ser cedrense é ter a certeza de estar sempre certo
            É ver bem de perto o que de longe acontece.
            É errar hoje, mas convicto de que amanhã acertará.
            É rir da seriedade de suas próprias coisas.
            É ser humilde porque isto nos engrandece.
            É ser irônico de maneira inocente.
            Ser Cedrense é saber que seu pequeno horizonte será ampliado milhões de vezes.
            Ser cedrense é ver alegrias nas tristezas e sentir que muitas vezes as alegrias são mais tristes..
            Ser Cedrense é recordar as coisas do Cedro dentro de uma ótica multifacetada.
            Ser Cedrense é ter a capacidade de pedir perdão a Deus, por um pecado que ainda vai cometer.
            Ser Cedrense é ter a capacidade de conviver numa pequena cidade com um Caetanopolitano, sem se atritar com ele.
            Ser Cedrense é carregar dentro de si, com o coração cheio de orgulho todos aqueles tipos folclóricos que o Cedro nos deu.
            Ser Cedrense é ainda ter um coração maior e ter armazenado dentro dele, tudo aquilo que formou um rosário de alegrias e tristezas, que as enchentes do “Corguinho” passaram levando consigo.
            Ser Cedrense é isso aí...
Marco Aurélio Cardoso Mota.


O 2º Festival Cultural Clara Nunes - 2007
 
Se no 1º FCCN a exaltação ao cidadão caetanopolitano foi um acerto, porque não adotar em cada Festival um tema que falasse ao coração de todos? Foi o que se fez.

O 1º tema a ser abordado foram as diversas “Marias” da cidade. Exaltadas com um poema feito, exclusivamente para o Festival, ilustrado com um vídeo das muitas “Marias” que fizeram a história da cidade, foi feito um registro da luta e da força da mulher caetanopolitana, representadas por Maria Gonçalves da Silva, a Dindinha ou Mariquita, irmã de Clara, que sempre foi a Maria  de muita força, garra e fé em tudo que fez. Ela é a guerreira que venceu todos os obstáculos que a vida lhe impôs.

O 2º tema foi a característica de Caetanópolis. Uma particularidade de todas as cidades do interior desse enorme Brasil. Os apelidos. Engraçados, interessantes, esquisitos e diferentes, foram pesquisados e demonstrados em vídeo com as fotos de seus donos. Uma tema prá lá de gostoso de se trabalhar. Um contato com a história de pessoas que fizeram a história de uma comunidade.

Com a participação da jovem Anália Ribeiro, a abertura foi um show a parte, com o texto sobre os apelidos.

Cedro, não tem explicação, tem que viver.
Autora: Adriana Andrade

Nossa cedro é formada por vários tipos.  Pessoas que por sua simplicidade, seu jeito engraçado, sua irreverência, suas manias marcam nossas vidas. E estas figuras deixam suas marcas em todos nós. Muitos possuíam e possuem apelidos muito engraçados. Nunca vi tanta criatividade para colocar apelido em alguém como aqui no Cedro.

Bé, Te, Caximbinho, Teba, Tincha, Marimbondo (que é uma família) Bito, Bodão, Formigão, Peru, Bodego, Quimides, Tiel, Teteu, Tote, Tonada, Baninho, Ximbiu, Duca (apelido tanto masculino como feminino) Bichão, Cebola, Macaco, Silurico.

Existem também os nomes acompanhados dos apelidos, pois sem o apelido, jamais você saberá quem é a pessoa:
Geraldo cegonha, Geraldo Porco Russo, Geraldo Gara Hum, Geraldo Caiado, Geraldo Pedaço, Geraldo lavadeira, Geraldo Pesão, Zé Marimbondo, Zé Lavadeira, Zé Bananinha, Zé Bosta de galinha, Zé Poeta, Zé canuto, Zé do Eucalipto, Jair Breado, Mané Cagão, Juca Totó, Zé Galo, Adeli Pó, Juvenal Paca, Zé Puri, Pedrin Berto, Maria Grossa, Maria Morta, Maria Preta, Maria Jose Doida, Galdino Cebola, Deja Macaco, Sô Lego, Zezinho furado, João Chinês, Joaquim Zuiudo, Zé do Jose.

O mais engraçado daqui é que alguém sempre é de alguém, e se você quiser identificar tem que conhecer de quem a pessoa é: Juca da Inhá, Lia do Juca, Maria do Edson, Maria do Nem, Zé do Gustavo, maria do Rubinho, Maria do Chicão, Marquinho da Lita, Chico do Bené, Ronaldo do Tote, Conceição da Sá Laura...

Existem aqueles que são conhecidos por causa de alguma coisa que fazem, e alguns ficam famosos por possuírem algo que  ficou marcado; Manoel relojoeiro, Silvano Fotografo, Antonio Padeiro, Helson da padaria,  ou ainda... o coqueiro do Juca, Pinguela da Maria Augusta, Farmácia do Norton, etc, etc, etc,

Não importa.

O que realmente importa é que essas pessoas fizeram e fazem de Caetanópolis uma cidade gostosa de se viver.  E isso, não tem explicação..... tem só que viver...

A participação das escolas neste festival também foi de grande importância.  Através de pesquisas sobre o folclore da cidade e a influência exercida sobre a vida e a obra artística de Clara Nunes. Novamente a história local foi revivida e valorizada.

Foi nesse ano de 2007, que foi inaugurada a Casa de Cultura Clara Nunes. Uma bela obra arquitetônica datada de 1912 que foi totalmente restaurada. Foi lá que Clara Nunes cantou pela primeira vez, ainda criança, levada pela professora, durante festinhas de escola e em shows de calouros.

A Casa de Cultura recebeu seu nome, numa justa homenagem. Casa de Cultura Clara Nunes. O auditório recebeu o nome de “Auditório Manoel Pereira Araújo - Mané Serrador”, pai de Clara Nunes e um grande violeiro e folião de reis.

Neste Festival, tivemos a presença dos cantores Diogo Nogueira, Tadeu Franco, do radialista Acir Antão da Rádio Itatiaia e seu Clube do choro, da cantora Fátima Candeias, Márcio Guima, o Grupo Choro de Minas de Belo Horizonte, além de cantores e artistas da terra, como o Grupo de Samba Clarear, apresentação do Projeto Cordas & Cia., do Grupo de Dança Expressão e Movimento e do Grupo de Teatro Estrela Dalva II.

É o festival dando oportunidade para que talentos sejam conhecidos e para que Caetanópolis seja reconhecida como a terra de Clara Nunes.

Nesse ano foi criado o Festival da Canção de Caetanópolis – “Descobrindo Novos Talentos. Um festival que possibilitará a descoberta de compositores que possam engrandecer a música brasileira, além de valorizar músicos.

Ficou o gostinho de quero mais. Quando o 2º FCCN terminou, tivemos dois sentimentos. Um de missão cumprida e outro de uma grande responsabilidade em atender os anseios do público que já estava tentando imaginar como seria a 3ª edição.

Sabíamos que teríamos um ano de muito trabalho pela frente. O 3º teria que ser muito melhor que o 2º.
 

O 3º Festival Cultural Clara Nunes - 2008
 
No 2º FCCN continuamos com as homenagens através de temas. Optamos por trazer à lembrança os caetanopolitanos que não moravam mais na cidade com o vídeo “Caetanopolitanos Ausentes”.  A outra homenagem ficou por conta do vídeo “Pessoas que vieram de outros lugares e que também fazem a história de Caetanópolis”. Foi um delírio ver a cidade mobilizada em fornecer fotos para serem contempladas nos vídeos. Essa movimentação foi a grande prova de que o FCCN tinha atingindo seu objetivo de mobilização da comunidade. Sem dúvida, a saudade dos que estão longe e o prazer de conviver com aqueles que abraçaram nossa cidade, fez com que o FCCN entrasse na “veia” de todos.  E Anália Ribeiro, já como garota Festival, fez a abertura com o texto “Pude Perceber”


Pude perceber...
Adriana Andrade  

Olhando daqui pude perceber como as estradas são estranhas...
Pude perceber que são, ao mesmo tempo, saudade e alegria.
São as mesmas estradas que levam e que trazem tantas pessoas, cheias de sonhos, buscando suas vitórias, e cheias de esperanças.
Por isso, hoje é tempo de falar de lutas, de buscas.
É tempo de lembrar do nosso percurso, do caminho que tivemos que passar para chegar ao nosso objetivo.
È tempo de falar de saudade e de alegria. Sentimentos diferentes e tão iguais...
São tantas as pessoas daqui que hoje sabemos estar bem longe,  e que levaram esse nosso jeito Caetanopolitano de ser.  Nossos palavreados tão nossos. Tipo: Bão sem base, bão demais da conta. , daonde? Cê besta?... É mesmo? De vera?  Entre tantos outros... E estas pessoas que se foram levaram alegrias para tantos outros lugares.
E as que aqui chegaram? Como trouxeram saudades.
E vieram de tantos lugares, com sonhos na mudança, cheios de expectativas... Vieram para ficar, não se sabe por quanto tempo, e foram ficando, gostando ou não, acostumaram com nosso lugar, e Caetanópolis ficou no lucro.
E  olhando daqui eu pude perceber a importância da busca. Esta busca incansável por realizações, por conquistas, pelo desconhecido, pela vitória.
Pude perceber que não somos donos de lugar algum. O meu lugar é onde cumpro meu destino, onde meu coração se transforma.
Pude perceber que aqueles que aqui chegaram, por esta estrada, se transformaram de coração, em gente nossa.
E ainda percebi, que aqueles que se foram, por esta mesma estrada, conquistaram seus espaços em outros lugares, e deixaram um grande vazio.
As transformações aconteceram aqui, e em qualquer outro lugar do mundo, porque as pessoas souberam ousar. Seguiram caminhos que levaram alegrias e saudades...

Uma maior exigência por parte do público, fez com que decidíssemos por atrações que fossem únicas em sua qualidade.

E subiram no palco do FCCN o cantor Oswaldo Montenegro, o cantor e ator Saulo Laranjeira, o Grupo de Dança Corpo Cidadão, a Orquestra de Câmara do SESI, Márcio Guima, Melissa Freire e Luis Otávio Valente, e Adelzon Alves.

Continuamos com as apresentações locais através do Projeto Cordas & Cia., o Grupo de Dança Expressão e Movimento, O Grupo Negras Raízes de Clara – Cia Batuque de Dança e o Grupo de Teatro Estrela Dalva II.

Exposições, trabalhos escolares e palestras numa maratona cultural foram a tônica do 3º FCCN.

O 2º Festival da Canção de Caetanópolis – Descobrindo Novos Talentos mostrou que a fórmula estava dando certo. O número de inscrições e a qualidade das canções apresentadas demonstraram que a programação do FCCN é um marco cultural em toda a região.

Quem quiser comprovar que acompanhe a programação de 4º Festival Cultural Clara Nunes.

A versão 2009 irá consolidar a realização de um sonho que se transformou numa realidade e que aponta para um futuro de prosperidade ao som da magnífica obra de Clara Nunes.

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