DOMÍNIO E SITE À VENDA(31) 99801 7494
FESTIVALClara NunesVoltar ao início

DA INFÂNCIA AO CANTO ETERNO

História de
Clara Nunes

Uma menina de Caetanópolis que transformou raízes, fé e memória em uma das vozes mais importantes do Brasil.

Conheça a trajetória

A GUERREIRA

Clara não apenas cantou o Brasil. Ela ajudou o país a ouvir a si mesmo.

Em pouco mais de duas décadas de carreira, Clara Nunes construiu uma obra marcada pelo samba, pelas tradições populares, pela religiosidade e pela valorização das raízes afro-brasileiras. Sua história começou em uma pequena cidade mineira e alcançou palcos de todo o mundo.

011942

Uma menina chamada Clara

Clara Francisca Gonçalves nasceu em 12 de agosto de 1942, no distrito de Cedro, então pertencente a Paraopeba e hoje município de Caetanópolis. Era a caçula de uma família numerosa e humilde. Seu pai, conhecido como Mané Serrador, trabalhava na fábrica de tecidos, tocava viola e participava das Folias de Reis. Nesse ambiente de fé, música e tradição popular, formaram-se as primeiras referências da futura cantora.

021946 a 1948

Infância marcada pela perda

Clara perdeu o pai quando tinha quatro anos e a mãe dois anos depois. Ainda criança, passou a ser criada pela irmã mais velha Maria Gonçalves, sua madrinha, a quem chamava carinhosamente de Dindinha, e pelo irmão José. A dor da orfandade conviveu com a força da família e da comunidade.

03Anos 1950

A voz nasce na igreja

Na infância e adolescência, Clara participou da Cruzada Eucarística, frequentou o catecismo e cantou ladainhas em latim no coro da igreja. Também guardou na memória as serestas, os cantos religiosos e as festas populares de sua terra. Antes dos palcos, sua voz já encontrava espaço na vida comunitária de Caetanópolis.

041958

Da fábrica para Belo Horizonte

Por volta dos 16 anos, Clara mudou-se para Belo Horizonte, onde uma de suas irmãs vivia. Trabalhou como tecelã na fábrica do bairro Renascença durante o dia. À noite, cantava em bandas de baile e participava do coral da igreja local. A jovem operária já carregava o sonho declarado de se tornar uma grande cantora.

051960 a 1965

O rádio abre as portas

Em 1960, venceu a etapa mineira do concurso A Voz de Ouro ABC e alcançou o terceiro lugar na final nacional. O resultado abriu caminho para sua contratação pela Rádio Inconfidência. Em 1961, fez sua primeira participação em disco. Pouco depois adotou o nome artístico Clara Nunes, usando o sobrenome de sua mãe. Em 1965, mudou-se para o Rio de Janeiro e iniciou uma nova fase profissional.

061966 a 1970

Os primeiros discos

Contratada pela Odeon, lançou em 1966 o primeiro LP, A Voz Adorável de Clara Nunes, com repertório romântico. O reconhecimento começou a crescer com Você Passa, Eu Acho Graça, de 1968. Aos poucos, Clara aproximou sua obra do samba, da música popular e das matrizes culturais que expressavam sua identidade.

071971 a 1973

A afirmação da Guerreira

Com canções como Ê Baiana, Ilu Ayê e Tristeza, Pé no Chão, Clara encontrou uma linguagem artística própria. Sua imagem, seus figurinos brancos, os colares, as flores e a presença de referências afro-brasileiras tornaram-se inseparáveis de seu canto. Em 1972, consolidou-se no samba e rompeu barreiras comerciais enfrentadas pelas cantoras brasileiras.

081974 a 1979

Uma voz do Brasil para o mundo

O álbum Alvorecer, de 1974, trouxe sucessos como Conto de Areia e alcançou uma vendagem histórica para uma cantora brasileira. Vieram espetáculos, turnês internacionais e discos fundamentais, entre eles Claridade, Canto das Três Raças, As Forças da Natureza, Guerreira e Esperança. Clara cantava o Brasil mestiço, a resistência negra, a fé, o amor e a dignidade popular.

091980 a 1982

Brasil mestiço e Portela

Nos últimos anos de carreira, lançou Brasil Mestiço, Clara e Nação. Morena de Angola, Portela na Avenida, Ijexá e a faixa Nação reafirmaram sua ligação com o samba, com a ancestralidade e com a Portela, sua escola de coração. Também se apresentou em outros países e levou a música brasileira a públicos internacionais.

101983

O silêncio que comoveu o país

Clara Nunes morreu no Rio de Janeiro em 2 de abril de 1983, aos 40 anos, depois de complicações decorrentes de uma cirurgia. Sua despedida provocou comoção nacional. A voz foi interrompida cedo, mas sua obra já havia transformado para sempre a música popular brasileira.

11Legado

Clara vive

Clara permanece como referência de excelência artística, liberdade religiosa, valorização da cultura afro-brasileira e força feminina. Em Caetanópolis, a Casa de Cultura, o Memorial Clara Nunes e o festival anual preservam sua memória. O Memorial reúne milhares de peças, entre fotografias, documentos, roupas, discos, objetos religiosos e recordações familiares. Cada nova geração encontra em Clara uma voz de coragem, beleza e identidade brasileira.

MEMÓRIA PRESERVADA

De Caetanópolis para a eternidade

O legado da Guerreira permanece vivo em cada disco, em cada homenagem e na cidade onde tudo começou.

Conheça o Festival

Fontes e memória

Texto elaborado a partir de registros biográficos, reportagens sobre o acervo familiar e informações do Memorial Clara Nunes.

Folha de S.PauloTerra de MinasTV BrasilTurismo de Minas Gerais